terça-feira, 27 de maio de 2014
O DEVER, A VIRTUDE
* O dever moral é a lei da vida; ele se encontra tanto nos menores detalhes quanto nos atos mais elevados.
* A virtude, em seu mais alto grau, comporta o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.
Instruções dos Espíritos
O DEVER:
* O dever é obrigação moral: primeiro, diante de si mesmo; em seguida, diante dos demais. Ele começa no ponto em que ameaçamos a felicidade ou a tranqüilidade do próximo e termina no limite que não gostaríamos de ver ultrapassado em relação a nós mesmos.
* As seduções do interesse e do coração dificultam o cumprimento do dever no âmbito dos sentimentos. O dever íntimo com freqüência se torna vulnerável diante da paixão e suas ilusões, ainda que a consciência, guardiã da retidão interior, advirta e sustente o livre-arbítrio ao qual ele se subordina.
* Para que cada um julgue com imparcialidade o mal que pode fazer, Deus criou todos os homens iguais perante a dor. Pequenos, grandes, ignorantes, esclarecidos, todos sofrem pelas mesmas causas. A igualdade diante da dor é sublime previdência de Deus. Ele quer que seus filhos, instruídos pela experiência comum, não pratiquem o mal alegando ignorância de seus efeitos.
* Resumo prático de todas as especulações morais, o dever revela a coragem da alma diante das angústias da luta. Austero e flexível, inclina-se ante a complexidade do desafio, mas permanece imune às suas tentações. O homem que cumpre seu dever ama a Deus mais que as criaturas, e as criaturas mais do que a si mesmo.
* O homem deve amar o dever não porque o preserve dos males da vida, dos quais a humanidade não pode escapar, mas porque dá à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento. A obrigação moral da criatura para com Deus permanece indefinidamente. Por isso, em cada uma das etapas superiores da humanidade, o dever cresce e irradia sob formas cada vez mais elevadas.
* Ser bom, caridoso, laborioso, moderado, modesto são qualidades do homem virtuoso. Com freqüência, no entanto, elas são acompanhadas de deslizes morais que as diminuem. Assim, quem se exibe e vangloria, por exemplo, fere a virtude da modéstia e tem o vício do orgulho.
A VIRTUDE:
* Aquele que é verdadeiramente virtuoso ignora ele mesmo suas virtudes. Pratica o bem desinteressadamente e esquecido de si mesmo. Porque o homem que se coloca como modelo e glorifica as próprias qualidades incorre na ostentação, atitude que freqüentemente oculta uma multidão de pequenas torpezas e vilanias.
* Aquele que exalta a si mesmo destrói todo o mérito que possa ter por praticar o ato virtuoso. Quem faz o bem sente justa satisfação íntima; mas exteriorizar essa satisfação para recolher elogios degenera em amor-próprio.
Mais vale ter menos virtudes com modéstia que muitas com orgulho e ostentação.
Allan Kardec.
O Evangelho segundo o Espiritismo,
Capítulo XVII.
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